Roger Hideo Rodrigues Coelho possui 22 anos, é integrante do grupo Shinkyo Daiko de São Caetano do Sul. Foi campeão na primeira competição nacional e esteve no Japão durante os anos de 2007 a 2010, na cidade de Fukuoka, onde treinou com o grupo Rakkoza/Marvelous Japan.

 

Roger nos concedeu uma entrevista exclusiva, onde comenta sobre sua experiência e suas idéias.

 

Como surgiu seu interesse pelo Taikô?

Roger - Na verdade, no começo eu não me interessava muito. Meus pais insistiram muito pra eu ir. Acabei indo, visto que alguns amigos meus tinham falado que iam. Então resolvi ir. Conforme foi passando o tempo fui me interessando pelo instrumento e pela cultura que eu já admirava muito. Surgiu assim meu interesse.

 

Como surgiu a idéia de ir treinar no Japão?

 Roger - A idéia inicial era de ir ao Japão mais para conhecer o país de onde meus antepassados haviam nascidos. Mas chegando lá, vi que era uma cultura maravilhosa e me apeguei cada vez mais ao taikô, aumentando o entusiasmo para aprender cada vez mais e mais sobre o taikô.

 

Você teve a experiência de treinar no Japão durante os últimos anos. Como você avalia esta experiência?

Roger - Fiquei 3 anos treinando taikô, vivendo de taikô, respirando taikô, comendo taikô, eu realmente só vivia de taikô. Acordava às 5 horas da manhã para fazer preparo físico, e treinava das 7h até às 13h.  Após isso, eu ainda dava aula de taikô à noite. Sem contar as apresentações que chegavam com frequência de 4 a 5 vezes por semana ou mais. Foi uma experiência iningualável, pois aprendi muito lá, e com certeza levarei todo esse aprendizado por toda minha vida.

 

Como era sua rotina no Japão? Quais as principais dificuldades que enfrentou?

Roger - Minha rotina era exatamente o que comentei na questão anterior, vivia somente de taiko. A minha maior dificuldade foi o idioma, e em seguida o preconceito, pois praticamente eu estava tomando um lugar de um japonês no grupo. Mas com o passar do tempo fui me adaptando e os integrantes também se adaptaram. 

 

Como você avalia o taikô no Brasil antes e após seu retorno?

Roger - Confesso que antes era ridículo. Taikôs precários, técnicas totalmente erradas, músicas horríveis. Hoje em dia já melhorou muito, mas ainda precisa de muito pra chegar perto do Japão. Apesar de ter melhorado muito, ainda há uma falha muito grande nas técnicas passadas pelos instrutores do Brasil.

 

Depois desta experiência, qual o aspecto que você considera mais importante para ser um bom tocador de taikô?

Roger - Em primeiro lugar temos que ter respeito,disciplina e perseverança. E em segundo, precisa aprender muito sobre a cultura japonesa, o espírito japonês, o pensamento japonês. Para depois tentar tocar taikô e isso que realmente é precário no Brasil.

 

Quais são seus planos para o futuro? Pretende retornar ao Japão em breve?

Roger - Não pretendo voltar para o Japão. Porém, o futuro é uma caixinha de surpresas, nunca se sabe né?

Meus planos seriam: completar a faculdade e fazer de tudo para que todos os tocadores do Brasil saibam o verdadeiro espírito de um japonês. 

 

Quais os conselhos que você daria para os grupos novos e para os mais experientes?

Roger - Eu diria que estudar um pouco da cultura japonesa, da história do taikô, história de estilos, de grupos.

Buscar sempre se aprimorar tanto no taikô quanto como pessoa.